Revista e-metropolis nº 33: expansão do crédito, corporativismo financeiro e possibilidade política

A Revista eletrônica e-metropolis chega à 33ª edição com um conjunto de artigos, ensaio fotográfico e resenha temáticos sobre mercado e capital imobiliário, imaginário urbano, participação social, arte e cinema. Um dos destaques é o artigo “Anti-sujeitos de crédito: para-corporativismo financeiro e possibilidade política”, de autoria de Brian Whitener, da University of South Alabama, que examina algumas das consequências da expansão do crédito de massa a partir do ano de 2003 no Brasil. Partindo do contexto político-econômico do governo Lula, o autor analisa a concessão de crédito como forma de financiamento para-corporativo.

Após situar a expansão do crédito pessoal durante o governo Lula em um contexto político-econômico mais amplo, Whitener passa a examinar três questões: primeiro, a concessão de crédito como forma de financiamento para-corporativo; segundo, o tipo específico de assuntos o qual fez a expansão do crédito surgir; e, em terceiro lugar, as possibilidades de políticas de curto prazo abertas pelo crédito de massa e o horizonte da inadimplência.

O material do artigo “Anti-sujeitos de crédito: para-corporativismo financeiro e possibilidade política”  foi extraído do capítulo de um livro, Crisis Cultures: The Rise of Finance in Mexico and Brazil, publicado pela University of Pittsburgh Press.

Acesse o artigo completo no site da Revista e-metropolis.

 

EDITORIAL

Desde já, convidamos a todos e a todas a embarcarem em mais um momento de reflexão e debate sobre o urbano e o regional brindado pelos companheiros e companheiras aqui publicados! Intitulado “Anti-sujeitos de crédito: para-corporativismo financeiro e possibilidade política”, o nosso artigo de capa é de autoria de Brian Whitener, da University of South Alabama. Whitener examina algumas das consequências da expansão do crédito de massa a partir do ano de 2003 no Brasil. Partindo do contexto político- -econômico do governo Lula, examina a concessão de crédito como forma de financiamento paracorporativo, as razões implicadas nisto e, por fim, as possibilidades de políticas de curto prazo abertas pelo crédito de massa e pelo horizonte da inadimplência.

O artigo “A morfologia urbana do capital imobiliário: expansão dos loteamentos fechados em Taubaté-SP” analisa a lógica condicionante dos loteamentos fechados no município de Taubaté, no estado de São Paulo. Os autores argumentam que, desde os anos 1990, a lógica do mercado imobiliário encontrou condições para sua inserção no circuito de valorização e reprodução do capital por meio de empreendimentos do tipo “condomínio-fechado” naquela cidade. O artigo propõe uma reflexão sobre o tema, atribuindo ao Plano Diretor a responsabilidade por normatizar e limitar os rebatimentos espaciais negativos provocados pelos loteamentos fechados.

Em “Modos de dizer a cidade contemporânea: desafios de ler e escrever Salvador”, Liliane Vasconcelos de Jesus reflete criticamente sobre as imagens que representam a capital baiana instituídas pela literatura e pela mídia contemporânea. Guiada pelo “fascínio inevitável exercido pela urbe”, o artigo se coloca na tarefa de propor, tematizar e problematizar a condição física e o discurso sobre a cidade em uma constituição simbólica que dê conta de representar a experiência urbana soteropolitana através daqueles interlocutores.

Outro artigo de tema muito pertinente para os tempos atuais, em que nunca se questionou tão a fundo o status quo da nossa democracia, é o artigo da professora Miriam Medina-Velasco. Trazendo como pano de fundo o contexto colombiano, a autora apresenta o estudo dos processos de tomada de decisão presentes nas Consultas Populares de caráter municipal relacionadas às atividades de exploração do uso do solo naquele país. Para Medina-Velasco, a Consulta Popular na Colômbia tem contribuído positivamente para ampliar o exercício da autonomia local na discussão e decisão sobre os interesses em relação ao uso do solo e os atores envolvidos.

No artigo “Desculpe incomodar o silêncio de vocês: o transporte coletivo enquanto espaço público”, Priscila Santos analisa o ônibus urbano, importante personagem da vida das cidades. Sob o aspecto do passageiro do transporte coletivo enquanto uma releitura contemporânea da figura do flâneur, resgata a reflexão sobre o ambiente construído e as práticas socioculturais contemporâneas e enquanto microcosmo da cidade e, consequentemente, janela para a observação das questões em torno do sujeito social e espaço de resistência da esfera pública.

A entrevistada desta edição é a pesquisadora, arquiteta e urbanista Helena Menna Barreto Silva. Realizada por Eduardo Augusto Sombini e João Monteiro, a entrevista trata dos percursos e problemas das políticas de habitação popular em áreas centrais, explorando em mais profundidade o caso de São Paulo. A pesquisadora elabora uma análise do modelo dominante de intervenção em áreas centrais no país e da ausência de políticas e instrumentos adequados ao equacionamento da habitação popular das cidades. Além disso, explora as dinâmicas imobiliárias e populacionais da área central de São Paulo na última década, apontando as parcerias público-privadas como o novo modelo privilegiado de implementação de programas habitacionais na área central.

Já o ensaio fotográfico desta edição, cujo título é “A cidade que acorda e a cidade que dorme: a invisibilidade da população em situação de rua” traz uma reflexão sobre a questão habitacional, a segregação e a discriminação no espaço urbano no Brasil a partir da observação da cidade de Maringá. O ensaio retrata a diferença de paisagem noturna e diurna da cidade a partir da apropriação do espaço público da cidade pelos “sem-teto”. Expulsos dos espaços privados do mercado imobiliário, a presença dessa parcela da população na paisagem urbana é contestada a todo o tempo.

Para finalizar esta edição, temos, ainda: uma seção especial assinada pelo professor Robert Pechman, do IPPUR/ UFRJ, intitulada “Cai a noite sobre a cidade. Imagens sorrateiras da urbe na pintura de Jan Siebert”; e a resenha “Peixes e aquários; pessoas e cidades: a simbiótica relação entre habitantes e seus locais de moradia” assinada por Nathalia Gonçalves, que analisa o filme que já se tornou um clássico do cinema brasileiro e, por que não, uma referência para estudiosos e pesquisadores de todos os campos das Ciências Sociais e Humanas – Aquarius (2016), estrelado por Sonia Braga e dirigido por Kleber Mendonça Filho. Boa leitura!

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