Relato sobre o workshop “Ilha do Bororé: entre a cidade informa e a questão ambiental”

Neste relato para o INCT Observatório das Metrópoles, a profª Camilla D’Ottaviano conta a experiência do Workshop Ilha do Bororé, realizado pela FAU/USP, FA/UFRGS e École Nationale Supérieure d”Architeture de Paris La Villete, a partir do intercâmbio entre docentes e alunos. Durante 12 dias de atividades, a equipe formada visitou a Ilha do Bororé, região do extremo sul de São Paulo, localizada na área de Proteção aos Mananciais – APA Boroé-Colônia. Devido as suas características ambientais e paisagísticas, abrigando desde agricultores locais a novos bairros em crescimento, a Ilha do Bororé tem como embate a expansão da cidade informal e a preservação ambiental.

Equipe que participou do Workshop Ilha do Bororé

O Workshop Ilha do Bororé foi uma realização da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FA-UFRGS) e da École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris La Villette (ENSAPLV – Escola Nacional de Paris Villette), que se reuniram no Projeto de Cooperação França & Mercosul.

A Rede INCT Observatório das Metrópoles foi uma das apoiadoras do evento, ao contar com os pesquisadores Dra. Camila D’Ottaviano (FAU/USP) e Dr. João Rovati (UFRGS) na coordenação/organização do workshop. E também os pesquisadores Dr. Adauto Lúcio Cardoso (IPPUR/UFRJ) e Renato Pequeno (UFC) entre os convidados.

A seguir o Relato sobre o workshop, assinado por Camila D’Ottaviano, Jorge Bassani e João Rovati.

 

Relato sobre o workshop “Ilha do Bororé: entre a cidade informa e a questão ambiental”

Por Camila D’Ottaviano, Jorge Bassani e João Rovati

Dentro do Programa de Cooperação França & Mercosul, numa parceria entre a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP), a Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAUFRGS) e a École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris La Villette (ENSAPLV), foi realizado São Paulo entre os dias 16 e 27 de abril o “Workshop Ilha do Bororé: entre a cidade informal e a questão ambiental”.

O workshop foi organizado pelos professores Jorge Bassani (FAUUSP), Camila D’Ottaviano (FAUUSP/Observatório das Metrópoles) e João Farias Rovati (FA-UFRGS//Observatório das Metrópoles) e pelas arquitetas Flávia Tadim Massimetti e Marla Rodrigues, com o apoio da Rede INCT Observatório das Metrópoles e em parceria com os professores franceses Claudio Secci e Marc Bourdier  da ENSAPLV.

Tendo como objeto de estudo a Ilha do Bororé, localizada na área de Proteção aos Mananciais – APA Bororé-Colônia, na represa Billings, no extremo sul da cidade, o workshop teve como questão norteadora “Extenso território dominado por habitação precária e irregular, localizado em área de preservação ambiental: o que fazer?”.

Devido as suas características ambientais e paisagísticas, abrigando desde agricultores locais a novos bairros populares autoconstruídos em áreas de preservação, a Ilha do Bororé tem enfrentado cotidianamente o embate entre a expansão da cidade informal e a desejada preservação ambiental.

O Workshop teve como objetivo discutir essas questão e estimular a proposição de soluções ou medidas que colaborem para evitar ou minimizar os impactos gerados pela expansão urbana na região.

O workshop teve quatro momentos diferentes: palestras de convidados, visitas de campo na cidade de São Paulo, período de imersão na Ilha do Bororé e atelier de projeto na FAUUSP.

Entre os palestrantes convidados estavam o professor Adauto Cardoso (IPPUR-UFRJ) e Renato Pequeno (UFC), ambos pesquisadores da Rede INCT Observatório das Metrópoles.

O workshop teve um total de 32 participantes entre brasileiros, franceses, paraguaios e venezuelanos. Devido a parceria com a Escola Estadual Professor Adrião Bernardes, na Ilha do Bororé, o workshop contou também, em alguns momentos, com a participação de 25 alunos de ensino médio da escola.

Entre os dias 16 e 18, além das palestras, foram realizadas visitas de campo na favela da Brasilândia, na região norte da cidade, e na Ocupação 9 de Julho, no centro da cidade, como forma de aproximar os participantes das várias realidades de precariedade/irregularidade vivenciadas na cidade de São Paulo.

Visita à Favela da Brasilândia

Na quinta-feira, dia 19, todos os participantes se “mudaram” para a Ilha do Bororé, onde ficaram hospedados até o domingo, dia 22. Para conhecer e entender o território objeto de estudo, o workshop contou com a parceria da Escola Estadual Professor Adrião Bernardes, onde os participantes foram recebidos para um almoço e bate-papo com os estudantes-moradores, e com a Casa Ecoativa, coletivo eco-cultural com importante atuação na região.

Também é importante destacar a participação nas atividades e discussões da gestora Parque Natural Municipal Bororé, Ana Cristina Jimenez, do gestor da Área de Proteção Ambiental – APA Bororé-Colônia, Ricardo Rodrigues de Oliveira, e das técnicas Unidade Básica de Saúde – UBS Ilha do Bororé, Elaine Cerqueira (agente de promoção ambiental) e Edi Rodrigues Farias Bar (técnica de enfermagem).

Durante a segunda semana as atividades de atelier se concentraram na FAUUSP, onde foi feita a apresentação final das propostas com a presença dos estudantes da Escola Estadual Professor Adrião Bernardes e da gestora da  Parque Natural Municipal Bororé.

Palestrantes:

Adauto Cardoso (IPPUR/UFRJ)

Roberto Luiz Do Carmo (IFCH/UNICAMP)

Angelo Filardo (FAUUSP)

Karina Leitão (FAUUSP)

Renato Pequeno (UFC)

Jaison Pongiluppi Lara (educador e articulador na Casa Ecoativa)

Euler Sandeville (FAUUSP)

Caio Santo Amore (FAUUSP/Peabiru)

Parceiros:

Casa Ecoativa (https://casaecoativa.wordpress.com/)

Escola Estadual Professor Adrião Bernardes – docentes e alunos

Parque Natural Municipal Bororé – gestor

Área de Proteção Ambiental – APA Bororé-Colônia – gestor

Unidade Básica de Saúde – UBS Ilha do Bororé – agentes de promoção ambiental

 

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