Projeto INCT

Observatório apresenta novo programa de pesquisa vinculado aos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia – INCT/ CNPQ/FAPERJ

A Rede Observatório das Metrópoles apresenta o seu novo programa de pesquisa, para o período (2017-2020), intitulado “As Metrópoles e o Direito à Cidade na inflexão da ordem urbana brasileira” – um extenso projeto que norteará a continuidade da rede de pesquisa no âmbito do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT/MCT&I/CNPq). A proposta foi pela reorientação das linhas e dos projetos de pesquisa em função da hipótese da inflexão ultra-liberal no Brasil e na ordem urbana das metrópoles. Esta inflexão se traduz (1) no avanço da tendência da financeirização urbana e da mercantilização da cidade; e (2) no surgimento de regimes urbanos fundados no empreendedorismo local.

O novo programa será desenvolvido a partir de projetos que abordam o conceito e a prática do direito à cidade e sua vinculação com as seguintes questões: bem-estar urbano e oportunidades; mobilidade urbana; políticas habitacionais; trabalho e economia social e solidária; saneamento ambiental e gestão das águas; cidadania e governança urbana; gestão participativa e diversidade da rede urbana;  gestão participativa; mercantilização e financeirização da cidade; e empreendedorismo urbano como modelo de governança no contexto metropolitano.

“A rede se prepara agora para uma nova etapa. Primeiro, difundir e ampliar a relevância do debate metrolitano para o desenvolvimento nacional – a partir das análises que acumulamos nos últimos 20 anos; e segundo garantir que o direito à cidade seja assegurado no futuro do país, visando a construção de cidades mais justas e democráticas”, argumenta Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, vice-coordenador nacional do Observatório.

Que tipo de sociedade urbana seremos capazes de construir no futuro aproveitando os impactos positivos decorrentes do período de inflexão econômica e urbana que o Brasil atravessamos nos últimos 20 anos? Que obstáculos societários, ambientais e políticos devemos enfrentar para transformar as nossas metrópoles em ativos fundamentais para assegurar o nosso desenvolvimento como nação próspera, democrática, justa e sustentável? Que desafios devemos conhecer para aproveitarmos as oportunidades criadas com o crescimento econômico e diminuição das desigualdades, com a consolidação democrática e a transição urbana para superarmos o modelo excludente, segregador social e espacialmente e dilapidador da natureza?

Talvez a questão metropolitana atualize o desafio fundamental identificado por um dos mais importantes pensadores brasileiros.

Em meio milênio de história, partindo de uma constelação de feitorias, de populações indígenas desgarradas, de escravos transplantados de outro continente, de aventureiros europeus e asiáticos em busca de um destino melhor, chegamos a um povo de extraordinária polivalência cultural, um país sem paralelo pela vastidão territorial e homogeneidade linguística e religiosa. Mas na falta a experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos, cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. E na falta também um verdadeiro conhecimento de nossas possibilidades, e principalmente de nossas debilidades. Mas não ignoramos que o tempo histórico se acelera, e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta na construção do devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação. (Furtado, 1992: 35)

Nesse contexto, o presente projeto tem como objetivos principais: (i) Contribuir para colocar a questão do desenvolvimento urbano no centro do debate sobre desenvolvimento nacional reconhecendo a importância da dinâmica urbana-metropolitana como elemento crucial para pensar o passado, o presente e o futuro da nação brasileira; (ii) identificar mecanismos produtores de bloqueios e avanços no bem-estar urbano, na sustentabilidade ambiental e na superação das desigualdades sociais; (iii) desenvolver uma teoria na escala metropolitana, mobilizando conhecimentos disciplinares particulares, e metodologias de pesquisa visando contribuir para a constituição de uma plataforma de conhecimento sobre o tema urbano- metropolitano; e produzir subsídios visando contribuir com a formação de políticas públicas e novos padrões de governança metropolitana fundadas na justiça social e na democracia

Clique no link a seguir e confira o novo programa do Observatório.

“As Metrópoles e o Direito à Cidade na inflexão da ordem urbana brasileira”