Projeto 2.5. Direito à Cidade e a estrutura de oportunidades no contexto metropolitano

Este projeto compreende duas dimensões da estrutura de oportunidades em contextos metropolitanos, a estrutura referente à distribuição de oportunidades educacionais e a estrutura referente às oportunidades no mercado de trabalho. Em relação à primeira dimensão, a proposta é dar continuidade aos estudos sobre segregação residencial e distribuição de oportunidades educacionais. Em estudos anteriores, que focalizaram o município e a RM do Rio de Janeiro, observamos o impacto do efeito-vizinhança tanto na dimensão de socialização (modelo de papel social) quanto na dimensão da violência sobre desfechos escolares tais como atraso e desempenho em avaliações externas.

Parte dos estudos, que conjugaram dados da Prova Brasil 2005 e do Censo 2010, observou o impacto do local onde os alunos estudam  sobre o desempenho dos alunos em matemática. As análises concentraram-se nos efeitos do modelo carioca de segregação sobre as oportunidades escolares, e identificaram nuances da dinâmica na escala macro e na escala micro da cidade (RIBEIRO & KOSLINSKI, 2010). Um segundo conjunto de estudo observou o efeito da vizinhança, em especial o impacto de morar em favelas, sobre o risco de estar em situação de distorção idade-série/atraso para crianças e jovens residentes em municípios da RM Rio de Janeiro (ALVES, CRESO FRANCO & RIBEIRO, 2008).

O primeiro estudo pretende, portanto, observar o impacto das carências habitacionais sobre o risco de distorção idade-série para crianças e jovens residentes nas RM’s. Para tanto, pretende utilizar além de variáveis explicativas relacionadas às privações habitacionais (abastecimento de água, saneamento e densidade domiciliar), controles relacionados às características demográficas e de origem socioeconômica dos alunos e relacionados à vizinhança em que os alunos residem. O impacto da vizinhança será levado em conta tanto em sua dimensão de socialização (ocupação dos adultos), quanto material (IBEU). O estudo pretende estimar modelos hierárquicos de regressão logística e utilizará as bases de dados do Censo Escolas de 2000 e 2010 para a construção das variáveis incluídas nos modelos.

A segunda proposta pretende analisar relação entre características do local em que alunos estudam sobre o desempenho educacional dos alunos em três regiões metropolitana, quais sejam, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, utilizando dados da Prova Brasil e Censo IBGE. Parte do pressuposto de que as condições do Bem-Estar Urbano exercem impacto nas oportunidades educacionais dos alunos também a partir de seu impacto sobre o funcionamento das instituições escolares.

Objetivo

Avançar nas análises referentes à relação entre segregação residencial e as desigualdades de oportunidades educacionais e do mercado de trabalho nas metrópoles brasileiras.

Metas

(i) Analisar o impacto das carências habitacionais sobre o risco de distorção idade-série para crianças e jovens residentes nas RM’s.

(ii) Analisar relação entre características do local em que alunos estudam sobre o desempenho educacional dos alunos em três regiões metropolitana, quais sejam, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte, utilizando dados da Prova Brasil e Censo IBGE.

(iii) Aplicar modelos de análise hierárquica para analisar a importância do efeito-território sobre o risco de desemprego, o risco de fragilidade ocupacional e as diferenças de obtenção de renda no mercado de trabalho de forma a analisar a relação entre segregação residencial e oportunidades no mercado de trabalho.

Coordenação e responsabilidades

Mariane Campelo Koslinski – Socióloga, com doutorado em Sociologia pela UFRJ. Professora da Faculdade de Educação da UFRJ. Responsável pelos estudos em torno das oportunidades educacionais.

Marcelo Gomes Ribeiro – economista (PUC-Goiás), mestre em sociologia (UFG), doutor em planejamento urbano e regional (UFRJ) e professor do IPPUR/UFRJ. Responsável pela análise da relação entre segregação residencial e oportunidades no mercado de trabalho.