Projeto 2.4. Direito à cidade, trabalho e economia social e solidária no contexto metropolitano

Nas cidades brasileiras e latino-americanas, os espaços da vida cotidiana das classes populares se distinguem dos demais espaços pela complexidade das relações sociais ali enraizadas. A complexidade está na trama de formas de produzir e circular bens e serviços, entre os quais, os que dão materialidade à cidade: habitação, transporte, saneamento, parques, entre outros. Por serem necessidades humanas fundamentais, esses bens e serviços foram sendo supridos pela combinação diferenciada, em cada território, entre estratégias familiares e associativas de autoprodução, políticas redistributivas e ações empresariais. Essa trama de racionalidades econômicas faz com que a economia popular ultrapasse muitas vezes as fronteiras da comunidade e alcance a escala urbana.

Como primeiro pressuposto desse projeto entendemos que práticas associativas orientadas pelos princípios da reprodução social e do bem estar urbano podem converter as diversas formas de atividades da economia popular (empreendimentos familiares ou comunitários, trabalho autônomo, trabalho doméstico, etc.) em um setor mais orgânico de transição para uma outra economia. A abordagem da economia social e solidária propõe outro olhar sobre a economia popular que não o da “precariedade” e o da “informalidade”, ao pressupor a sua potência em transformar a lógica dominante das relações humanas.

O segundo pressuposto se refere à sustentabilidade financeira e social dos empreendimentos associativos da economia popular, sustentabilidade essa que não depende apenas de uma eficiente organização interna, mas dos contextos em que estão situados, que inclui os outros empreendimentos e as condições materiais e organizativas de seus territórios nas escalas comunitária e urbana.

Objetivo

Investigar as potencialidades das práticas associativas autogeridas presentes na economia popular urbana como uma das bases para a economia social, registrando suas redes na escala da cidade.

Metas

(i) Construir uma metodologia de leitura e mapeamento das práticas associativas autogeridas em territórios populares urbanos latino-americanos.
(ii) Aplicar a metodologia construída para análise da dinâmica econômico-territorial dos empreendimentos associativos autogeridos por unidades domésticas, cooperativas e associações em favelas e bairros periféricos nas metrópoles do Rio de Janeiro e Buenos Aires.

(iii) Confrontar a concepção hegemônica sobre a economia popular nos países periféricos com a análise substantiva sobre as práticas econômicas associativas nos territórios populares.
(iv) Analisar as concepções das políticas voltadas para a “economia solidária” nas esferas federal, estadual e municipal, implantadas nas metrópoles do Rio de Janeiro e Buenos Aires.

 

Coordenação e responsabilidades

Luciana Corrêa do Lago – Doutora em Arquitetura e Urbanismo, docente no IPPUR/UFRJ, coordenadora do projeto e da pesquisa empírica no Rio de Janeiro.

Pedro Claudio Cunca Bocayuva. Historiador, doutor em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ). Professor do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos- Suely Souza de Almeida da UFRJ (NEPP-DH/UFRJ). Responsável pelo debate teórico e conceitual, e pelas pesquisas internacionais.

Ruth Muñoz (argentina; Identidade: 25990874) – Mestre em Economia Social, docente no Instituto del Conurbano/Universidad Nacional de General Sarmiento, Argentina. Coordenadora da pesquisa em Buenos Aires.