Metrópoles regionais do Sul-Sudeste: Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte

Na consolidação de uma análise comparativa das metrópoles regionais do Sul-Sudeste do Brasil, o Observatório destaca o peso do setor industrial para se pensar as transformações urbanas recentes. Na metrópole meridional do país, o movimento de desindustrialização relativa afetou com mais força o município de Porto Alegre, gerando uma tendência à policentralidade. Curitiba, por sua vez, consolidou um parque industrial na década de 1980, protegida depois pelos investimentos da indústria automobilística. Já Belo Horizonte mantém a importância do complexo minerometalomecânico e do setor de serviços.

A Rede Nacional INCT Observatório das Metrópoles promoveu, no período de 9 a 11 de dezembro de 2015, o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática. O evento, realizado no Rio de Janeiro, reuniu o Comitê Gestor do Observatório e os coordenadores regionais para debater e consolidar uma síntese analítica sobre as mudanças e permanências relativas às principais regiões metropolitanas brasileiras.

O evento também serviu para o lançamento oficial da Coleção Metrópoles: transformações na ordem urbana. Lançada em parceria com a Editora Letra Capital e com apoio da FAPERJ, da Capes e do CNPq, a coleção é mais um resultado da Rede Nacional de Pesquisa INCT Observatório das Metrópoles que há mais de 15 anos vem consolidando um trabalho em rede multidisciplinar, de produção de conhecimento científico, de metodologias e ferramentas para a pesquisa da questão metropolitana.

A seguir alguns pontos da análise-síntese das metrópoles regionais do Sul-Sudeste, como também as Apresentações (em formato pdf) divulgadas no seminário nacional.

 

METRÓPOLES REGIONAIS DO SUL-SUDESTE

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: Porto Alegre

Rosetta Mamarella, Luciano Fedozzi e Paulo Roberto Soares do Núcleo Porto Alegre – lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A equipe do Núcleo Porto Alegre do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profº Paulo Roberto Soares, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole meridional do Brasil durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Porto Alegre: transformações na ordem urbana, organizado por Luciano Fedozzi e Paulo Roberto Soares, que analisa as principais mudanças da metrópole do Rio Grande do Sul nas três últimas décadas (1980-2010). Destaque para temas como reestruturação produtiva, perfil sócio-ocupacional, mercado imobiliário e políticas habitacionais, mobilidade urbana e governança metropolitana.

Veja a Apresentação do Núcleo Porto Alegre.

SÍNTESE-ANALÍTICA. Entre 1980 e 2010 Porto Alegre e a RMPA sofreram importantes mudanças econômicas que repercutiram na sua reestruturação interna e na sua reconfiguração urbano-regional. De acordo com Paulo Roberto Soares, o processo de desconcentração metropolitana reforçou a tendência à policentralidade metropolitana com o crescimento do comércio e dos serviços não só na capital, como em outros centros, especialmente os mais populosos e de economia mais dinâmica.

“Em 1980 o setor industrial compreendia um terço da economia metropolitana, enquanto que os serviços compunham quase dois terços do PIB. No início dos anos 1990 o setor industrial chegou ao seu auge na economia metropolitana, incluindo a capital. A partir de então, a reestruturação produtiva e o movimento de desindustrialização relativa afetou com mais força o município de Porto Alegre. As grandes indústrias ‘abandonaram’ o município, assim como as novas implantações industriais buscaram outras localizações na Região Metropolitana. Esse movimento de perda relativa da participação da indústria atingiu de modo diferenciado a RMPA, ao mesmo tempo em que o terciário, que já era predominante na capital, aumentou sua importância em outros centros urbanos”, afirma o pesquisador.

A análise aponta também que o mercado de trabalho metropolitano refletiu esta reestruturação. Mudanças qualitativas ocorreram no mercado de trabalho metropolitano, como o crescimento do assalariamento e dos trabalhadores com vínculo regulamentado. A diminuição da taxa de desemprego e o aumento da formalização melhoraram as condições do mercado de trabalho metropolitano. A queda da participação da indústria e o crescimento do terciário no emprego são mais pronunciados na capital e em municípios limítrofes, os quais são mais influenciados pela dinâmica da metrópole.

Faça o download do livro Porto Alegre: transformações na ordem urbana

 

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: Curitiba

Olga Firkowski e Rosa Moura do Núcleo Curitiba – durante o lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

 

A equipe do Núcleo Curitiba do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profª Olga Firkowski, apresentou uma síntese-analítica sobre a RM de Curitiba durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Curitiba: transformações na ordem urbana, organizado por Olga Firkoswki e Rosa Moura. A publicação retrata as principais mudanças e permanências, desafios e perspectivas verificadas na Região Metropolitana de Curitiba nas duas últimas décadas. Para tanto, analisa as transformações nas dinâmicas metropolitanas, quer as de natureza intrametropolitanas, quer as que alimentam as relações desta região metropolitana com a rede urbana brasileira, procurando observar as transformações na configuração espacial da metrópole e suas tendências, à luz da base conceitual sobre a metrópole contemporânea.

Veja a Apresentação do Núcleo Curitiba.

SÍNTESE-ANALÍTICA. Entre os anos 1980 e 2010 o espaço metropolitano de Curitiba sofreu profundas transformações de ordem econômica, social e institucional sem, contudo, ter superado as condições de desigualdade e segregação socioespacial presentes desde sua configuração.

Antecedendo esse período, mudanças na base produtiva paranaense fortaleceram a localização do setor industrial nesse espaço, dotando-o de infraestrutura e serviços mais qualificados. Ao mesmo tempo, provocaram alterações na pauta e meios de produção agropecuária, assim como concentração fundiária, gerando fluxos migratórios expressivos, que se direcionaram majoritariamente para Curitiba e entorno.

As transformações trazidas pela expansão industrial monopolista dos anos 1970 reforçaram o peso dessa região na economia estadual, e nos anos 1980 tornaram indubitável o papel hegemônico da metrópole. Uma metrópole que, como as outras, caracterizava-se pela concentração do poder econômico, social, político e cultural, mas também pela segregação socioespacial, fortemente motivada pela especulação na dinâmica da organização do território metropolitano. Nos anos 1990 e 2000, a instalação do polo automotivo renovou o papel industrial do espaço metropolitano, não só ampliando a área de incidência das plantas industriais, como se valendo de uma indústria reestruturada, fortemente apoiada em serviços e alta tecnologia. Ampliou-se a participação do setor terciário na composição da renda regional, porém, mesmo com a redução dos fluxos migratórios e do crescimento populacional, desigualdade e segregação continuaram sendo características do espaço metropolitano.

As condições favoráveis do mercado de trabalho durante os anos 2000 a 2010, a melhoria da renda da população, as maiores ofertas habitacionais acenavam para a possibilidade de mudança desse cenário. Porém, as pesquisas realizadas pelo Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles apontaram que era prematuro admitir uma ruptura nas contradições sociais presentes, o que vem se confirmando.

Passada metade de mais uma década, torna-se ainda mais comprovável a hipótese de que, no período considerado para a pesquisa sobre o espaço metropolitano de Curitiba, a metrópole institucionalizada se configurou de fato, expandiu-se e consolidou-se, tornou-se uma centralidade que ultrapassa as fronteiras do Estado, mas não conseguiu superar suas históricas condições de desigualdade e segregação socioespacial.

Faça o download do livro Curitiba: transformações na ordem urbana.

 

Metrópoles brasileiras na ordem urbana: Belo Horizonte

Equipe do Núcleo Belo Horizonte – Alexandre Diniz, Luciana Andrade e Jupira Mendonça – com Luiz Cesar Ribeiro no lançamento da coleção “Metrópoles: transformações na ordem urbana”

A equipe do Núcleo Belo Horizonte do INCT Observatório das Metrópoles, coordenada pela Profª Jupira Mendonça, apresentou uma síntese-analítica sobre a metrópole mineira durante o Seminário Nacional As Metrópoles e as transformações urbanas: desigualdades, coesão social e governança democrática.

A base para a produção da síntese foi o livro Belo Horizonte: transformações na ordem urbana, que retrata as principais mudanças e permanências, desafios e perspectivas verificadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte nas últimas quatro décadas. Para tanto, analisa as transformações nas dinâmicas metropolitanas, quer as de natureza intrametropolitana, quer as que alimentam as relações desta região metropolitana com a rede urbana brasileira, procurando observar as transformações na configuração espacial da metrópole e suas tendências, à luz da base conceitual sobre a metrópole contemporânea.

Veja a Apresentação do Núcleo Belo Horizonte.

SÍNTESE-ANALÍTICA. A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) não passou por um processo de ruptura em sua estrutura produtiva ao longo dos últimos anos, tendo o seu desenvolvimento recente reforçado a importância do complexo minerometalomecânico e do setor de serviços. Também merece destaque o vigoroso crescimento do número de empregos da construção civil, alavancado pela forte expansão do mercado imobiliário em curso desde o início dos anos 2000, que, por sua vez, também trouxe significativas implicações para os movimentos migratórios intrametropolitanos, como se verá mais adiante. Permanece a grande concentração dos postos formais de trabalho em Belo Horizonte e nos dois principais municípios do vetor oeste (eixo industrial) Betim e Contagem – tomados em conjunto abarcam 87% dos postos de trabalho formais da RMBH.

Contagem é o município que, na RMBH, foi identificado como a extensão do polo, dado o avanço do seu processo de metropolização. Esta forte concentração tem impactos importantes na dinâmica metropolitana, afetando de forma substantiva a mobilidade, além de reforçar a estrutura socioespacial, marcada pela forte polarização entre ricos e pobres. Do ponto de vista da geração de empregos assiste-se a uma espécie de modernização conservadora. Conservadora, por ser marcada pela reprimarização da economia, pelo reforço do complexo minerometalomecânico, pela forte atuação do Estado na indução do desenvolvimento e pelo fato de a evolução do setor produtivo não ter gerado transformações sociais e econômicas substantivas. E modernizadora, pela expansão do setor automotivo e pelas novidades que se anunciam no vetor norte da RMBH.

Assim, apesar das notórias melhorias no poder de compra do salário mínimo, acompanhadas de certa redução das desigualdades de renda, dados recentes indicam a permanência da polarização espacial, uma vez que as áreas mais vulneráveis permanecem no entorno da RMBH, a norte e nas áreas periféricas de Contagem e Betim, e sua extensão a oeste e noroeste, enquanto as áreas menos vulneráveis estão vinculadas às porções centrais de Belo Horizonte, Contagem e Betim, além de Nova Lima, que se localiza na extensão sul.

Faça o download do livro Belo Horizonte: transformações na ordem urbana.

Última modificação em 17-12-2015 23:07:01

 

Tags: , ,