A Megarregião Rio de Janeiro-São Paulo

A constituição de megarregiões emerge nitidamente no século XXI e se impõe sobre a urbanização constitutiva de metrópoles e revela uma mudança paradigmática na verdadeira natureza do processo de urbanização. A pesquisa tem como centro de discussão o desenvolvimento da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo compreendida como urbanização regional, como uma pós urbanização no dizer de Soja (2013).

O objetivo da pesquisa é discutir o conceito de megarregião e analisar a região de maior concentração de riqueza do país relacionando-a à lógica do capitalismo global financeirizado que caracteriza os dias atuais e à lógica do capital produtivo. Essas duas lógicas conjugam-se nitidamente na megarregião Rio de Janeiro-São Paulo combinando os processos de capitalização com os de valorização. Do ponto de vista da urbanização regional nela se fazem presentes as lógicas de aglomeração e de dispersão, de homogeneidade, fragmentação e hierarquia entre os lugares consubstanciando as policentralidades, em que o Rio de Janeiro e, em particular, São Paulo se reafirmam como centros mais importantes do país.

Também nessa megarregião encontra-se áreas de alta e baixa densidades de diversas naturezas: imobiliária, financeira, produtiva, comercial e de serviços avançados que desenvolvem complementariedades e estabelecem fortes vínculos com a economia global. Perceber essa realidade nova que conjuga e articula metropolização do espaço, financeirização e globalização, e, mais além, capturar sua essência são ações investigativas de fundamental importância.

Objetivo:

O objetivo geral da proposta de pesquisa para o ano de 2019 é o de compreender a megarregião Rio de Janeiro-São Paulo enquanto uma metropolização regional policêntrica enfatizando-se processos e relações que expressam a concentração das atividades econômicas e da produção da riqueza e que reafirmam essa região como o centro econômico do país reiterando o histórico desenvolvimento desigual do território brasileiro.

Objetivos específicos:

  • Discutir o conceito de megarregião como um novo espaço em formação em termos de escala, forma, estrutura e função.
  • Analisar dados básicos para a delimitação preliminar dos limites da megarregião, levando-se em consideração também estudos anteriores que se voltaram para a discussão da forte integração entre o Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Desenvolver argumentos com fundamentação teórica que justifiquem a escolha das referências analíticas a serem desenvolvidas em 2019; a saber: 1) relação entre capital mobiliário e financeirização; 2) atividades inovadoras e intensivas em conhecimento; 3) fluxos de importação e exportação de mercadorias.
    1. Exemplificar por meio de processos de urbanização relacionados especialmente à investimentos de capital, à atuação de incorporadoras de capital aberto e aos fundos de investimentos imobiliários e aos fundos de private equity, a ampliação do processo de financeirização imobiliária na megarregião como uma das expressões da hegemonia do capital financeiro.
    2. Analisar a concentração das atividades inovadoras e intensivas em conhecimento relacionando-as às determinadas condições gerais de produção que lhes são fundamentais e que ao se concentrarem na megarregião se constituem em um dos elementos chaves que diferenciam essa região do restante do país. Essa diferença decorre da natureza distinta da produção (que envolve uma relação significativa entre ciência, conhecimento e tecnologia), mas também porque a investigação dessas atividades inovadoras e intensivas em conhecimento permite uma leitura sobre o estabelecimento de redes, fluxos e conexões da megarregião com a economia global.
    3. Analisar os fluxos de importação e exportação de mercadorias pelos principais portos e aeroportos da megarregião, com o sentido de examinar os vínculos da megarregião com a economia global.
  • Avaliar a delimitação preliminar da megarrregião e reelaborar seus limites com especial atenção para as referências analíticas adotadas desenvolvendo uma reflexão teórica sobre regionalização.

Metodologia:

Os procedimentos metodológicos dessa pesquisa estão sintetizados a seguir.

  • Pesquisa bibliográfica e sistematização crítica das leituras relativas ao conceito de megarregião com especial atenção aos conceitos correlatos; tais como, megalópole, cidade-região; cidade global, cidade arquipélago e metápoles.
  • Análise crítica dos diferentes indicadores utilizados nos estudos precedentes a respeito da unidade Rio de Janeiro-São Paulo.
  • Discussão dos diferentes recortes e definição dos limites da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo a ser trabalhado na presente fase da pesquisa.
  • Dimensionamento dos espaços naturais da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo.
  • Descrição geral dos portos e aeroportos da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo objetivando selecionar os de maior significado nas exportações e importações de mercadorias e os mais importantes em termos de fluxos de passageiros.
  • Análise da hierarquia entre as cidades utilizando-se a pesquisa sobre as Regiões de Influência das Cidades – REGIC (IBGE).
  • Seleção dos indicadores para cada uma das 3 referências analíticas: a) relação entre capital mobiliário e financeirização; b) atividades inovadoras e intensivas em conhecimento; c) fluxos de importação e exportação de mercadorias.
  • Reelaboração do Quadro de Indicadores feitos no início da pesquisa, somente em relação às 3 referências analíticas a serem desenvolvidas em 2019 no âmbito das 3 referências analíticas.
  • Discussão dos indicadores objetivando justificar os que foram selecionados no sentido de comprovar sua pertinência e potência esclarecedora.
  • Estabelecimento da relação de cada uma das referências analíticas com as condições gerais necessárias para o desenvolvimento da relação entre capital mobiliário e financeirização, atividades inovadoras e intensivas em conhecimento e importação e exportação de mercadorias.
  • Elaboração de procedimentos estatísticos dizendo respeito a cada uma das 3 referências analíticas
  • Síntese de informações não estatísticas sobre cada uma das 3 referências analíticas.
  • Síntese bibliográfica das principais leituras teóricas sobre os temas relativos às 3 referências analíticas.
  • Análise dos dados e informações objetivando selecionar os mais significativos que possam melhor exprimir a unidade da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo levando-se em consideração o recorte regional preliminar.
  • Redefinição dos limites da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo.
  • Análise do significado da megarregião Rio de Janeiro-São Paulo em relação ao Sudeste e ao restante do país.

Coordenadores e responsabilidades:

Sandra Lencioni. Doutora em geografia (USP), Professora Titular do Departamento de Geografia da USP. Responsável pelo estudo em torno da megametrópole São Paulo-Rio de Janeiro.