Histórico

Observatório das Metrópoles tem origem no projeto Avaliação da Conjuntura Social e do Desempenho das Políticas Públicas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro cujo objetivo era analisar as transformações do quadro de carências e desigualdades sociais na RMRJ ao longo da década de 80, financiado pelo Banco Mundial/Prefeitura do Rio de Janeiro. Este projeto possibilitou a constituição de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IPPUR/UFRJ, o Programa de Urbanismo também da UFRJ e a organização não governamental Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE, tendo como temática central a reflexão sistemática sobre novos desafios metropolitanos do modelo de política urbana desenhada na Constituição Federal de 1988 e afirmado com a constituição do Movimento Nacional da Reforma Urbana, diante das transformações econômicas do final dos anos 1980.

Em 1996 este projeto foi ampliado com a obtenção de financiamento da FINEP – (Plano de Ação para a Área Social – FNDCT/FINEP/BID/880/OC-BR) cujo objetivo foi avaliar os impactos metropolitanos no Rio de Janeiro do ajuste macroeconômico e da reestruturação produtiva.

Em 1997 transformou-se em Núcleo de Excelência integrante do Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Edital nº 2 do PRONEX/CNPq), ocasião em que expandimos nosso âmbito de atuação por incorporar as metrópoles de São Paulo e Belo Horizonte em nosso programa de trabalho. Em parceria com a FAFICH/UFMG, a FAUUSP, o NEPUR/Deptº de Sociologia da PUC-SP e com o apoio do Centre de Sociologie Urbaine (CSU), do URBANDATA/Iuperj, do IBGE e da Fundação João Pinheiro, desenvolvemos um projeto de pesquisa comparativa dirigido à avaliação os impactos sociais, territoriais e políticos das políticas de ajuste estrutural e reestruturação produtiva. Começamos, portanto, tomando como referência as principais metrópoles que integram o espaço econômico, nas quais, desde a metade dos anos 70, vinha se configurando um novo polígono de concentração das atividades produtivas, delimitado por Belo Horizonte – Uberlândia – Londrina/Maringá – Porto Alegre – Florianópolis – São José dos Campos – Belo Horizonte.

O Observatório das Metrópoles foi inserido no Programa Institutos do Milênio – CNPq em 2005 através do Projeto Observatório das Metrópoles: território, coesão social e governança democrática – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Natal, Goiânia e Maringá. Os recursos do referido Programa de Trabalho possibiltaram a expansão do escopo de investigação da Rede, ampliando sua contribuição: (i) à circulação nacional de competências acadêmicas nas áreas da pesquisa e ensino; (ii) ao conhecimento sistemático e comparativo da problemática metropolitana brasileira, levando em consideração a diversidade regional do país; (iii) à formação de recursos humanos; e, (iv) ao aumento da importância na questão metropolitana na agenda pública brasileira em razão do seu esforço de transferência dos resultados das suas atividades de pesquisa e ensino sua pesquisa à sociedade e aos governos.

Após 12 anos de construção de uma rede nacional de pesquisa, presente em 12 grandes aglomerações urbanas e nas 5 grandes regiões do país, a Rede Observatório das Metrópoles se tornou, no ano de 2009, um dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). O projeto é conduzido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCT&I) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a FAPERJ.

A proposta do INCT foi substituir o programa dos Institutos do Milênio, ampliando a produção das redes a partir de uma maior participação das fundações estaduais de amparo à pesquisa. O objetivo dos INCTs tem sido ocupar uma posição estratégica  no  Sistema  Nacional  de Ciência e Tecnologia, tanto pela sua característica de ter um foco temático em uma área de conhecimento para desenvolvimento a longo prazo como pela complexidade maior de sua organização e porte de financiamento.

Desse modo, o Observatório passou a integrar o conjunto de 123 centros de excelência em pesquisa do país e teve o seu mérito reconhecido, entre outros, por apresentar:

1) PESQUISA DE EXCELÊNCIA ACADÊMICA COM ALTA PRODUTIVIDADE. 

Apresentamos a continuidade, expansão e consolidação do Programa em curso INSTITUTO DO MILÊNIO, tendo recebido na avaliação do CNPq o reconhecimento como um dos grupos de pesquisa em rede “….mais bem estruturados do país no que diz respeito aos estudos urbanos. Apresenta uma sólida rede nacional de instituições e pesquisadores de universidades espalhadas por todo o território brasileiro, contribuindo tanto na perspectiva metodológica como em seus resultados para conhecimento de aspectos fundamentais dos processos urbanos em curso em nossa sociedade.” Outros indicadores confirmam a excelência: a) 25 Bolsistas de Produtividade; b) 37 Programas de Pós-Graduação em várias áreas de conhecimento, (oito com nota 6 e dez com nota 5; c) alta produtividade científica cuja avaliação deve ser complementada considerando: publicação ao longo da sua existência de 599 trabalhos no exterior, em anais, capítulos de livros e artigos, o que pode ser comprovado no exame dos CV Lattes dos pesquisadores principais; e, de 40 números semestrais do único periódico científico brasileiro especializado no tema – Cadernos Metrópole – Qualis Nacional A da CAPES.

2) REDE NACIONAL, MULTIDISCIPLINAR E MULTIESCALAR. A forma de apresentação da proposta pode não ter facilitado a apreensão do seu desenho adequado ao caráter diverso e multiescalar da questão metropolitana brasileira, suscitando dúvidas sobre a sua consistência.  São três linhas de pesquisa que articulam os enfoques essenciais à compreensão da problemática metropolitana enquanto campo das Ciências Sociais: Economia/ Território, Sociedade/Território e Política/Território. Um modelo metodológico inovador, desenvolvido ao longo dos 20 anos de existência da Rede, articula estas linhas entre sim e com estudos de caso imprescindíveis ao competente entendimento da complexidade da questão metropolitana.

3) ENFRENTAMENTO DAS DISPARIDADES REGIONAIS EM C,T&I. A trajetória do Observatório narrada na proposta evidencia que reunimos também grupos de pesquisas em consolidação localizados nas grandes regiões do país, promovendo a circulação nacional de competências, experiências e o compartilhamento de base de dados, contribuindo no esforço de rompimento das assimetrias regionais do sistema C,T&I.

4) IMPACTOS E EFEITOS MULTIPLICADORES. Quanto à formação de recursos humanos e a sua absorção como professores, pesquisadores e profissionais é quase impossível documentar tais impactos em razão da enorme quantidade de alunos dos 15 Núcleos da Rede espalhados pelo Brasil, em cursos de especialização, mestrado e doutorado. Entretanto, a leitura dos anexos da proposta evidencia os impactos acadêmicos e profissionais locais onde o Observatório está constituído. Ademais, está evidenciada a nossa relevante contribuição à concretização das metas de Desenvolvimento Nacional e à Inclusão Social, contidas no Plano de Ação em C,T&I, em função na nossa colaboração com os ministérios do Planejamento e das Cidades.

No ano de 2016, a Rede Observatório das Metrópoles concluiu o primeiro edital vinculado ao Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), e apresentou um relatório final com os resultados do período que atestam o compromisso dos nossos pesquisadores com a produção de conhecimento relacionada à temática urbana e metropolitana: foram cerca de 150 livros produzidos, mais de 700 artigos publicados em periódicos indexados, e mais a formação como pesquisadores de 300 alunos de pós-graduação — nos níveis de pós-dourado, doutorado e mestrado — vinculados às nossas pesquisas.

Consideramos que o nosso maior resultado no período do Programa INCT (2009-2016) foi a produção da Coleção “METRÓPOLES: território, coesão social e governança democrática” com o propósito de oferecer a análise mais completa sobre a evolução urbana do país, servindo assim de subsídio para a elaboração de políticas públicas e para o debate sobre o papel metropolitano no desenvolvimento nacional. A coleção mostra o compromisso e o esforço dos pesquisadores do Observatório para a produção de conhecimento científico em rede relacionado ao planejamento urbano e áreas afins: são 14 livros, 169 capítulos e cerca de 270 autores das mais variadas áreas do saber analisando as transformações urbanas das principais metrópoles do Brasil no período 1980-2010, a partir de temas como organização social do território, demografia, rede urbana, dinâmicas de metropolização, moradia, mobilidade urbana, governança metropolitana, bem-estar urbano, entre outros.

Clique aqui para acessar os resultados do Relatório Final do Observatório das Metrópoles para o Programa INCT (2009-2016).

Para maiores detalhes, visite os sites do CNPQ e da FAPERJ.