Escalas espaciais e reescalonamentos: lições e desafios na América Latina

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento da versão digital do livro “Escalas espaciais, reescalonamentos e estatalidades: lições e desafios da América Latina”, organizado por Carlos Antônio Brandão, Víctor Ramiro Fernández e Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro. A publicação oferece uma contribuição inédita para a área do planejamento urbano e regional no Brasil e na América Latina ao reunir autores anglo-saxões — como Neil Brenner, Bob Jessop, Erik Swyngedouw e Jamie Peck — a pensadores latino-americanos para o debate sobre temas como reescalonamento de Estado; novas direções da teoria urbana; geografia econômica nas encruzilhadas Norte-Sul; metrópole liberal-periférica; desenvolvimento regional; geoeconomia política na periferia do capitalismo, entre outros.

“Escalas espaciais, reescalonamentos e estatalidades” tem como objetivo central dialogar com o Norte e refundar o pensamento crítico espacial latino-americano. Para isso conta com artigos de autores representativos do pensamento crítico elaborado nos espaços acadêmicos dos países desenvolvidos, porém buscando uma reapropriação renovadora das reflexões originais e criativas latino-americanas para pensar as transformações espaciais em processo nas diversas escalas espaciais, procurando delinear uma agenda de pesquisas que possa contribuir para o reposicionamento do debate urbano-regional-metropolitano em nosso continente.

Entre os autores anglo-saxões — temos nomes como Neil Brenner, Bob Jessop, Erik Swyngedouw e Jamie Peck (os pensadores mais reconhecidos dessa tradição). Já os  teóricos latino-americanos são representados por Blanca Rebeca Ramírez Velázquez, Felipe Nunes Coelho Magalhães, João Bosco Moura Tonucci Filho, Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, Víctor Ramiro Fernández, Jeroen Klink, Marcos Barcellos de Souza, e o próprio Carlos Antônio Brandão.

Luiz Cesar Ribeiro e Carlos Brandão

A publicação aborda questões como reescalonamento de Estado; novas direções da teoria urbana; geografia econômica nas encruzilhadas Norte-Sul; metrópole liberal-periférica latino-americana; desenvolvimento regional sob transformações transescalares; geoeconomia política na periferia do capitalismo, entre outros.

Segundo o profº Carlos Antônio Brandão (IPPUR/UFRJ), entre os objetivos do livro está a retomada da reflexão sobre a questão do Estado, ou seja, o reescalonamento do Estado, e como é a sua atuação nos dias de hoje. “Nesse sentido, um dos desafios a que se propõe o livro é pensar o Estado latino-americano, o Estado do capitalismo sub-desenvolvido, e pensar a sua rede de de escalonamento. Por exemplo, como o Estado brasileiro construiu suas escalas nos últimos 20 anos”, explica Brandão.

QUESTÕES NORTEADORAS

O livro apresenta um conjunto de questões norteadoras que são colocadas para a reflexão dos seus autores. São elas:

Quais são efetivamente a natureza e as tendências das transformações geopolíticas, geoculturais e geoeconômicas no contexto atual na escala mundial? Qual o alcance dessas mutações? Como isso condiciona ou potencia a referida reemergência das problemáticas ligadas à produção social dos diferentes espaço?

Qual é a autonomia das políticas urbanas e regionais frente aos processos de crescente mundialização econômica e institucional e o entrecruzamento de interesses que vem ocorrendo entre atores transnacionais e grupos locais e nacionais? Como implementar estratégias urbano-regionais mais democráticas, populares e socialmente inclusivas em um contexto ultraconservador e de operação de poderosas redes políticas e econômicas globalizadas?

Quais são as dimensões espaciais, as potencialidades e as formas de intervenção do Estado em relação a esses processos? Qual é o padrão organizacional assumido ou a assumir pelo Estado espacialmente? Qual a natureza dos novos espaços do Estado? Como opera o reescalonamento do poder do Estado e quais são suas práticas espaciais?

Qual é, em tal cenário, o protagonismo conferido à “sociedade civil” e aos movimentos sociais contra-hegemônicos e suas organizações e quais são as formas de envolvimento e de enfrentamento nas ações políticas impulsionadas pelo Estado e pelos grandes capitais?

Como comparar processos socioespaciais tão distintos entre os países, regiões e cidades do hemisfério norte e do sul? E no interior dos espaços do Sul?

Quais são as especificidades que assumem os aspectos listados acima nos cenários periféricos, e em particular nos espaços urbano-metropolitanos-regionais latino-americanos?

Faça o download do livro “Escalas espaciais, reescalonamentos e estatalidades: lições e desafios da América Latina”

 

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