Construção do espaço metropolitano: o Rio de Janeiro no contexto dos megaeventos

Foi lançado este mês o livro Constructing  Metropolitan Space:  Actors, Policies and Processes of Rescaling in World Metropolises da editora Routledge. O trabalho analisa as novas dinâmicas de governança e de reescalonamento estatal por meio dos estudos de caso sobre o desenvolvimento metropolitano em Berlin, Nova Deli, Istambul, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Roma e Shenzhen. No capítulo Economic actors at odds with the metropolis: Rio de Janeiro in the context of mega-events, Luiz Cesar Ribeiro e Nelson Rojas de Carvalho, pesquisadores do Observatório das Metrópoles, analisam o caso do Rio de Janeiro. O livro está disponível no site da Amazon (clique aqui).

 

O pesquisador Nelson Rojas de Carvalho assim apresenta o texto:

O presente volume é resultado de um projeto de pesquisa de quatro anos desenvolvido por pesquisadores de diferentes países e instituições filiados ao Consórcio Internacional de Pesquisa Metropolitana (iMRC), o qual tem o Observatório das Metrópoles como um dos seus integrantes.  O trabalho voltou-se para a compreensão das novas dinâmicas de governança e de reescalonamento estatal por meio dos estudos de caso sobre o desenvolvimento metropolitano em Berlin, Nova Deli, Istambul, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Roma e Shenzhen. Os estudos de caso iluminam a maneira pela qual o desenvolvimento metropolitano vem ocorrendo em diferentes contextos institucionais, políticos, econômicos e discursivos.  Operando a partir da ótica de disciplinas diversas – da ciência política, ao planejamento urbano, à geografia e à sociologia – e atravessando três continentes, o livro explora três grandes hipóteses sobre a governança metropolitana e a construção escalar à luz dos processos de globalização e de neoliberalização, no que diz respeito ao: a) papel do estado; b) à relação entre o estado e os atores econômicos; e c) às práticas de reescalonamento estatal em nível metropolitano. No seu conjunto, o trabalho ilumina a natureza altamente disputada e incompleta dos processos de reescalonamento metropolitano, destacando a atenção para o papel que a trajetória de origem desempenha na determinação dos diferentes caminhos de desenvolvimento metropolitano.

No capítulo dedicado à análise do Rio de Janeiro, Economic actors at odds with the metropolis:
Rio de Janeiro in the context of mega-events , Luiz Cesar Ribeiro e Nelson Rojas de Carvalho analisam como o Rio de Janeiro se distingue por abrigar uma economia política onde o protagonismo de atores econômicos associados ao circuito secundário de acumulação implica o predomínio de uma política escalar localista, avessa à dimensão metropolitana. O capítulo demonstra – por meio de análise da reforma do porto, dos planos estratégicos e da reforma do sistema de transportes – como esses atores promoveram, a partir da década de 1990, um modelo de empresariamento urbano voltado a situar o núcleo metropolitano em posição competitiva na divisão internacional do consumo; modelo que se processou em completa dissintonia com a escala metropolitana.

 

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